Pode não ser a hora de seguir seu sonho

Atualizado: 12 de Jun de 2019

Cuide para que seguir seu sonho obstinadamente não seja uma estratégia inconsciente de fugir da sua real evolução


Crédito: Rafa Bittencourt

Uma de minhas maiores alegrias é presenciar sonhos sendo realizados. Meus preferidos são aqueles construídos ao longo de uma vida, celebrados a cada passo. Acredito que nossos sonhos são tão sagrados que merecem ser construídos com paciência e humildade, com base sólida para que sigam de pé por muitos e muitos anos.

Por admirar essa construção de legados que desafiam a ideia de que a utopia está distante, vejo com preocupação a moda “viva seus sonhos”. Essa lógica está fazendo muitos de nós tomarmos decisões precipitadas. Gente mudando de vida sem passar por processos de transformação genuína. Sonhos sagrados sendo abandonados por estarem sendo construídos sem fundação. Trabalhar com propósito, da forma que enxergo o termo, é parte de um processo maior de transformação. Olha-se tão profundamente para o sentido da vida que, consequentemente, a vida muda. A partir de uma transformação profunda, muda a relação com o meio ambiente e as pessoas, muda a visão de interdependência entre todos os seres vivos, muda a forma como dialogamos, a relação com o próprio corpo e a saúde física, mental, emocional e espiritual, mudam os relacionamentos, os hábitos e talvez até a profissão. Sem transformação interna, a mudança não se sustenta. Podemos masterizar a arte da realização sem chegar perto de nos sentirmos verdadeiramente realizadxs. Há de se construir base para mudar, pois a realização de sonhos demanda estrutura interna para ser sustentada. Podemos viver a vida sonhada sem nos sentirmos realizadxs, porque a felicidade não é de fora pra dentro, é algo construído internamente e que transborda em mudanças externas. Quantas pessoas conheço que pediram demissão para empreender algo transformador e grandioso e logo ali precisaram dar uma pausa para se estruturar internamente e dar conta de tudo que esse sonho demandava física, emocional, intelectual e espiritualmente? (Sou uma delas!) Antes de criar o Transborda, eu tinha outra vivência com as amadas Fernanda Leite e Renata Bucair, chamada O Salto, sobre transição profissional. Depois de cerca de quatro edições, percebemos que não fazia sentido esse “O” antes de “Salto”, pois presumia que uma transição profissional era construída por um único passo, o de sair de uma realidade e adentrar outra. Entendemos naquele momento que uma vida com propósito é construída por muitos passos. Quando decidimos compostar essa vivência, surgiu em mim o Transborda, que dialoga mais com o que acredito hoje. (Viva mudar de ideia e evoluir!) A ideia de salto fala sobre uma mudança sem necessariamente uma transformação. E transbordar é de dentro para fora. A mudança externa é consequência. O que está desencaixado hoje na sua vida? É seu trabalho? Seu relacionamento? Será que mudar de emprego vai realmente fazer evoluir sua relação com o trabalho? Será que mudar de companheirx vai te trazer mais intimidade e felicidade? Sem olhar mais profundamente para o que em você segue, sustentando uma relação profissional ou afetiva menos saudável do que o desejado, você pode até mudar de realidade externa, mas internamente, mais cedo ou mais tarde, os mesmos desconfortos vão bater em sua porta. Há de se encarar as transformações necessárias para que as mudanças sejam sustentáveis a longo prazo. Se a vida profissional está insuportável, sim, mude! Mude de emprego, de forma de trabalho, de profissão. Mas não espere que isso em si vá resolver seus problemas. É a estrutura interna que vai nos possibilitar tomar decisões com raiz.

A transformação real vem de encarar como seu ser íntimo enxerga o trabalho, quais os padrões e dinâmicas energéticas que você inconscientemente sustenta. Quais são as crenças que você segue sustentando que te distanciam da felicidade no trabalho? Acredita que não merece ser feliz ganhando dinheiro? Que é desonesto ser remunerado por fazer algo que faria de graça? Que sua arte não é boa o suficiente para ir pro mundo? Que dinheiro é sujo? Que nunca poderá ser mais bem sucedidx que seus pais? Que se for independente financeiramente vai perder o “único” lastro de amor com sua família: o dinheiro? Que ser adulto é ruim? E quais as dinâmicas energéticos que têm regido sua relação com o trabalho? Pressa para chegar lá sem refletir qual o lá desejado? Dificuldade de sustentar uma escolha? Quer garantir sua liberdade e com isso não se compromete de verdade com nenhum caminho? Medo de pagar o preço do sucesso (o que quer que ele signifique pra você)? Busca pela perfeição como desculpa para não correr riscos? Nenhum caminho parece ser bom o suficiente para você? Quer ser maior do que realmente é? Ou menor? Recusa em crescer e se adultificar? Te convido a olhar pra seu histórico de tomada de decisões e se perguntar. Anote os momentos de sua vida onde tomou decisões importantes. Depois, olhe para todos eles e se pergunte: quais padrões se repetem? Você aguarda o momento perfeito para decidir? Decide com pressa sem analisar as possíveis consequências? Espera que decidam por você? O que pode perceber sobre seu processo decisório?  Quais as consequências virtuosas e destrutivas que surgem dessa forma de decidir? Escreva livremente sobre o que percebe sobre si mesmx. Cada um de nós sustenta crenças, padrões e dinâmicas diferentes em momentos diferentes de nossas vidas. Há de se ter coragem para encarar a verdade e, ao atravessar o desafio, colher os frutos da liberdade conquistada e caminhar com consistência em direção a nossos sonhos. No fundo, é sobre evoluir. É sobre ir além do que fomos até agora, sobre experimentar outras formas de estar no mundo. Sobre se dar outras opções não automáticas e com isso ampliar nossa capacidade de ser. Nota importante: Essa percepção veio de um caso específico de alguém que apoiei nos últimos tempos. Talvez ela reflita algo sobre seu momento atual, ou de algo que já tenha vivido. Ou talvez seu momento seja mais sobre dar passos largos em direção a seu desejo, sem olhar tanto para suas inconsciências. Esse pode ser seu processo nesse momento, caso seu padrão seja o do perfeccionismo, por exemplo. Cada pessoa é uma, cada caso é único. Minha intenção é de ampliar nossa liberdade e não de teorizar e criar uma nova regra pros nossos processos internos.

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