Trabalho como forma de devoção

Começo todo trabalho rezando, pra me lembrar que essa é uma forma de devoção.

Preparo a sala como quem prepara um espaço de cerimônias, porque assim é. Seja a sala de casa, com gente ao redor do mundo, seja a sala coletiva com gente em círculo.

Chego pedindo licença, escutando e agradecendo quem/o quê estava acontecendo antes de nós.

Busco ser impecável em meus passos (o que é diferente de perfeccionismo).

Me pergunto: o que a Vida pede de mim? O que a Terra quer?

Reconheço que a ação na matéria move coisas imateriais.

Me mantenho atenta e receptiva ao invisível.

Oferendo meus talentos, dons, escolhas e privilégios para a evolução planetária.

Desinvisto na falácia do individualismo e reconhecer que "eu não ando só".

Convoco as companhias visíveis e invisíveis.

Confio no tempo, "compositor de destino, tambor de todos os ritmos".

Aprecio as diferentes cadências e escuto a Natureza orquestrando a Vida.

Quando bate o cansaço, descanso, sem estagnar.

Não é (só) por mim que vou.

Não é sobre mim.

"Todo amor é sagrado e o fruto do trabalho é mais que sagrado"

0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Quem sou eu profissionalmente agora?

Quatro meses de um arrombo psíquico, com um pacotinho sorridente e demandante no colo. Com o sono pouco e picotado, o corpo com limites irreconhecíveis sendo sugado. Eu estaria voltando ao trabalho

uma forma de vida que cuide das mães

Não era pra ser assim. Não era pra estarmos tão cansadas. Não era pra estarmos à mercê financeira. Não era pra duvidarmos de nosso valor por estarmos sendo “só” mães. Não era pra estarmos em

Quem sou depois disso?

Por essa fenda, jorrei sangue vivo por 20 anos antes de jorrar ser humano. O mistério ia se revelando suavemente a cada lua, junto com o plantio vermelho das histórias do último ciclo. Quando, junto c