Dinheiro+propósito: para céticos e românticos



Dinheiro é um grande tema no mundo hoje. Quando falamos de trabalhar com propósito, o assunto ganha nuances bem específicas. Esse texto tem como objetivo falar de pontos que percebo tocarem muitas pessoas em busca de fazer $ com algo que faz sentido pra si e pro mundo.

Antes de mergulhar, acho importante pontuar algumas coisas, pois esse é um tema muito sensível e complexo:


Não tenho a pretensão de abordar aqui todos os temas que envolvem dinheiro. Sei que esse texto não necessariamente cuida da realidade financeira da grande maioria da população brasileira.Esse é um tema sistêmico. Vivemos num tempo onde alguns poucos vivem com muitos privilégios e acho importante que olhemos também para os âmbitos social e econômico numa visão mais macro. Mas esse não é meu objetivo agora.Os pontos abordados abaixo não mencionam a importância de questionarmos o modelo econômico vigente e encontrarmos outras maneiras de nos organizarmos.


Esse texto se propõe a apoiar pessoas a navegarem seus mundos internos nesse tema para que possam prosperar mais no modelo como ele é hoje. Pessoalmente, tenho vivido momentos de questionamento com a maneira como nos organizamos sistemicamente em torno dos recursos existentes. Sigo investigando e vivendo os incômodos internos que surgem com minhas próprias incoerências sobre não concordar com como as coisas são e precisar me sustentar financeiramente.Esse não é um texto “4 passos para ser rico” nem “pense como um milionário”. Não acredito em fórmulas prontas e, na minha opinião — simplistas e ingênuas.


Dito isso, vamos lá?


Percebo que a ideia de trabalhar com propósito costuma levar as pessoas a duas crenças em lados opostos de um mesmo espectro, que vou tratar como se fossem dois arquétipos, bem caricaturados.


> Arquétipo do romântico: “se eu mergulhar no meu propósito e servir ao bem maior, todos os caminhos vão se abrir, arco íris vão aparecer, elfos vão tocar flautas até eu chegar bem rapidamente no pote de ouro e eu vou ter dinheiro com facilidade, sem nenhum esforço.”


> Arquétipo do cético: “é impossível ganhar $ atuando no propósito. É melhor eu seguir aqui nesse trabalho que não gosto e conseguir pagar as contas. Sonhar é pra pessoas que não têm responsabilidade financeira. Melhor me resignar e seguir vivendo uma vida profissional que não me realiza, mas que é a que tenho. Melhor um pássaro na mão do que dois voando.”


Entre esses dois, há o arquétipo do que vou chamar de realista, que no meu ponto de vista é o que mais possibilita as pessoas a abrirem os caminhos internos e externos para ganhar dinheiro: “entendo que o caminho de trabalhar com propósito é importante pra minha realização como ser humano e sei que pode ser necessário deixar pra trás alguns confortos, mesmo que temporariamente, para desenhar uma vida profissional que me vivifique. Sei também que essa é uma jornada desafiadora, que vou adentrar mares menos seguros e que vou precisar de comprometimento, organização e autoconhecimento para seguir navegando.”


Ou seja, o realista reconhece o âmbito espiritual e valida a magia da vida como o romântico e também se compromete com o âmbito material e a importância de cuidar do dinheiro como o cético.


Pra que você possa ter mais clareza sobre como lidar com esse tema de forma a se aproximar do realista, hoje vou falar de três pontos: paciência / olhar pra dentro / compromisso.

Para ambos, românticos e céticos que estejam em processo de transição profissional, percebo a importância de ter PACIÊNCIA nessa transição, porque esse é um caminho pra vida toda, que não traz resultados imediatos.


Se você estiver vivendo um trabalho que te gera renda mas não te faz sentir realizado e ainda não tem clareza de como atuar em seu propósito, possivelmente vc vai precisar, por um tempo, fazer algo que não se conecte tanto com seu propósito atual, enquanto desenha estratégias para se alinhar ao que realmente se conecta com seu coração. Até que seu coração vai trazer a clareza necessária e você vai se movimentando nessa direção, criando um trabalho que te faça feliz. E aí os caminhos vão se abrindo.


Pra alguns, vai ser necessário seguir com o trabalho atual e reduzir custospra juntar $ e ter uma reserva para fazer essa transição.


Para outros, com menos responsabilidade financeira ou mais clareza interna, é mais possível dar esse salto no vazio. Nesse caso, pode ser que você precise baixar bastante sua renda — até totalmente — por um tempo, até ir criando um trabalho que faça sentido pra você.


Para aqueles que têm responsabilidades financeiras que impedem esse salto no vazio, se for inviável seguir no trabalho atual, se já estiver no seu limite do aceitável, se você se sente violentado, mais ainda não tem uma construção profissional com propósito que te permita fazer essa transição, será que vc poderia seguir fazendo o que faz num outro esquema, com outras pessoas, enquanto vai se preparando pra fazer algo com mais sentido? Fazer freelas? Trabalhar meio período? Procurar emprego em uma empresa com um esquema que te dê mais tempo para investir na sua pesquisa e formação para esse novo trabalho? Como você pode cuidar da sua saúde física, emocional, mental, espiritual e financeira ao mesmo tempo?


Quando trago essas possibilidades pras pessoas que atendo, percebo que às vezes a resposta vem como uma reação, uma reatividade, com frequência, sem nem que tenham pensado sobre o assunto, trazem respostas prontas e com um tom de voz mais alto. Esse é um indício de que há alguma questão emocional no meio do caminho, e é aí que entra o segundo ponto:


OLHAR PRA DENTRO

Temos muitas crenças em relação a dinheiro, o que acaba fazendo com que essa energia tome proporções maiores do que ela realmente tem. Damos ao $ um valor emocional extremamente alto, não só pela configuração social e econômica em que vivemos, como também por sustentarmos crenças inconscientes. 90% da mente é inconsciente e isso tem um poder sob o qual não temos controle, pois está fora de nosso espectro de visão. É importante então trazer as questões inconscientes pra consciência. O Pathwork, linha terapêutica-espiritual que estudo, fala que “a vida não mente”. Que por mais que a gente fale que quer muito algo — seja dinheiro, um relacionamento, trabalho, uma casa — se a gente não está vivendo isso que tanto deseja, há um não interno, uma parte em nós que ainda não quer.


Com essa parte que não quer algo, cria-se, então, um conflito interior: uma parte em mim deseja ter, outra parte luta para não ter. Como a parte que não quer ter é inconsciente, ela acaba tendo uma força maior que a parte consciente.Você até se esforça, mas o $ não chega. Ou chega e vai embora muito rapidamente. Então é importante olhar para o que em você ainda sustenta o “não quero ganhar o dinheiro necessário atuando no meu propósito”, com base em ilusões em crenças errôneas.


Aí você pensa: Ah, é o sistema econômico, é a empresa que trabalho, a vida na cidade está muito cara mesmo! Sim, essas justificativas podem ser reais, mas mesmo que sejam reais você tem uma responsabilidade na realidade individual que está criando para você mesmo. E o papel de vítima não nos ajuda a mudar nossa realidade. E pior: se colocar como vítima tira nosso poder de ter foco e a energia de fazer o que pode ser feito: olhar pra si mesmo e se comprometer com sua transformação pessoal.


Olhando pro inconsciente, pras crenças que sustentam esses “nãos” vamos tirando as questões que estavam debaixo do tapete e assim podemos realmente limpar a sujeira escondida. Não é necessariamente agradável olhar pras questões inconscientes. Essa escolha demanda humildade e força de vontade, mas é necessária se queremos ter vidas mais inteiras.


Vou abordar aqui algumas questões inconscientes recorrentes sobre dinheiro. Sabendo que cada indivíduo é um universo em si e que não estou me propondo a abordar todas as possibilidades, mas algumas com as quais já me deparei seja no meu processo pessoal, seja no apoio que dou a outras pessoas.


Para alguns, na infância, o amor veio também em forma de dinheiro e presentes. Nossos pais saiam para trabalhar para fazer $ em vez de estarem conosco. Sem conseguir dar a quantidade de afeto, carinho e atenção que desejavam, tentaram suprir essa carência afetiva comprando coisas. Passamos a dar ao $ mais do que um valor de troca prática, ele passa a ter um valor simbólico afetivo. E aí, inconscientemente entendemos que se não há oferta financeira de alguém, a fonte de amor dessa pessoa cessou. Então uma parte minha acha que não posso fazer $, porque se eu mesmo me der dinheiro, não vai ser mais necessário recebê-lo do outro e assim não vou receber amor tampouco.


Percebo que algumas pessoas se recusam a ganhar dinheiro porque sabem que faz parte do processo de amadurecimento e adultificação ganhar dinheiro, mas querem inconscientemente alimentar a dependência com os pais (estejam eles vivos ou não, sejam eles presentes ou não). A recusa interna em ganhar dinheiro é uma forma de garantir a perpetuação desse laço.


Há também crenças em relação a $ que falam de escassez, sofrimento e da sujeira do dinheiro. A primeira vez que tive contato com essa visão dos três pontos acima foi com Amelia Clark, que fala de dinheiro e espiritualidade. Reconheço que esses são mesmo pontos sensíveis para muitos. Listei aqui algumas frases que estão em nosso inconsciente coletivo:


Escassez

Tenho mais vai acabar

Não mereço ganhar dinheiro de maneira nenhuma

Sou incapaz de gerir minhas finanças com sucesso

Não dá pra ganhar $ com o país/economia do jeito que está


Sofrimento

Preciso me sacrificar muito pra ganhar dinheiro

Ter dinheiro vai me tornar menos espiritual


Dinheiro é sujo

Para ganhar é $ preciso passar a perna em alguém

Não é certo ganhar $ com algo que eu faria de graça


Quando assumimos a recusa interna de fazer dinheiro, liberando-as do inconsciente, podemos conscientemente escolher fazer diferente. As afirmações positivas podem apoiar muito nesse processo. Algo que me encanta é reconhecer em mim o incômodo em falar algumas delas. Te convido a falar as frases a seguir em voz alta e perceber o que se movimenta em você.


Eu tenho os recursos necessários para atuar em meu propósito de vida

Eu mereço completa riqueza e prosperidade

Sou plenamente capaz de lidar com minhas finanças com sucesso

Eu posso seguir meu caminho espiritual tendo dinheiro

Eu sou financeiramente responsável por mim mesmo


Se houve algum incômodo ou resistência em falar alguma das frases, essa reticência pode estar revelando que tem algo em você que ainda não te permite liberar essa crença. Te convido a fazer um processo de auto-investigação para entender o que te impede de fluir nessa direção, que parte em você não te deixa acreditar. Às vezes é uma história de infância que te marcou, ou algo que seus pais repetiam, ou ainda crendices populares.


Perceba o padrão que se repete na sua relação com $. Você está constantemente em dívida? Tem desafios em gerenciar suas finanças? Ganha dinheiro e perde tudo? Ou trabalha muito e não consegue ganhar dinheiro? Ou empurra seus afazeres com a barriga?


O que esse padrão te diz sobre sua história familiar? Você reconhece esse padrão se repetindo na sua ancestralidade?


O que esse padrão te diz sobre frases que você escutava quando criança? As famosas crendices, tipo “dinheiro não nasce em árvore”?


O que esse padrão te diz sobre sua recusa em crescer e ser independente financeiramente?


Fazer dinheiro pode ter sim um ônus. Você possivelmente terá num primeiro momento menos tempo livre e mais responsabilidades. Contudo, isso não precisa ser sobre esforço, sacrifício, dor, mas sobre adultificar-se e ir pra vida deixando de lado as benesses de ser uma criança sem compromissos financeiros e com isso colher os benefícios de ser adulto com liberdade e compromisso.

Investigar esses pontos é importante pra irmos tomando consciência e escolhendo fazer diferente. À medida em que purificamos o lado de dentro, o lado de fora vai se reorganizando e respondendo à transformação interna. Abrir caminhos internos tem como consequência abrir caminhos externos.


Essa é uma jornada de vida, algo que a gente vai purificando ao longo de nossa jornada. Não tenha pressa em encontrar respostas, mas também não caia no amortecimento e deixe essa história pra lá. Isso me leva ao 3o ponto:


COMPROMISSO:

Esse é um caminho é no gerúndio. Você vai encontrando, vai buscando, vai descobrindo, vai purificando. Não há um lugar a se chegar, a uma trajetória a se percorrer, porque esse é um caminho de vida. É uma jornada de compromisso diário de purificação das crenças inconscientes.

Ao mesmo tempo, se faz necessário reconhecer que o processo de evolução não é só um caminho de compromisso espiritual, mas também material. Somos seres espirituais vivendo uma experiência material, então faz parte do caminho de honrar essa experiência honrar também o material, materializando o espírito e espiritualizando a matéria.


Vejo muitas pessoas na crença “Dinheiro e serviço ao mundo não combinam”.Acabam se sabotando e trabalhando somente o campo do autoconhecimento. A ilusão aqui é que o dinheiro não faz parte do caminho espiritual/do propósito. É nesse ponto que o arquétipo do romântico ganha força.


É necessário agir, e não só falar “estou pensando em como fazer isso ou aquilo”. É necessário se comprometer com gerar os recursos necessários para você cuidar de suas necessidades e investir no mundo em que você quer viver, comprando de pessoas que regenerem a vida na Terra. Pra isso, gostemos nós ou não, hoje ainda é necessário recursos financeiros. Felizmente, há outras maneiras de troca surgindo, mas majoritariamente dinheiro ainda é nossa mais importante moeda de troca.


Então, vai pra ação! Lista o que você pode fazer pra ser remunerado pelo seu trabalho e vai lá fazer essas coisas! Dinheiro pode sim nascer em árvore. Mas a árvore é plantada, cuidada, regada e podada, num cuidado diário.


Estude como as pessoas que fazem coisas similares a você ganham dinheiro de forma alinhada a valores que façam sentido pra você. Como você pode se inspirar nelas pra trilhar seu próprio caminho de prosperidade? Vai pra ação, que mesmo se você rezar, pedir e se conectar pedindo à Vida mais prosperidade, você faz parte da Vida e se não caminhar em direção a isso com integridade não há lei da atração que vá fazer efeito.Você e a Vida são um. Não adianta nada pedir pra Vida e não ser a Vida (ou pra Deus, pro Universo, seja lá como você queira nomear uma força maior). .


Falando em compromisso, vale olhar pros seus gastos mais de perto. No último ano tenho anotado todos os meus gastos e receitas, o que tem sido libertador! Olhar pro $ com base nos dados e fatos é super importante. Esse é um tema que trata muito das nossas questões emocionais e com isso a gente acaba se relacionando muito na subjetividade. Ter os dados no papel ou na planilha faz com que eu suspenda as questões emocionais e lide com a realidade: gastei esse mês mais com saúde, menos com educação. Gastei mais com comida, ou transporte. Ganhei mais com cursos, menos com atendimentos. Isso me ajuda a tomar decisões conscientes.


O Gui fez um post sobre organização financeira aqui e disponibilizou a planilha que usamos em nosso dia-a-dia. Recomendo bastante!


No Livro Como Encontrar o Trabalho da sua Vida, do Roman Krznaric, tem uma sugestão que gosto muito: ao longo do mês anotar todos os seus gastos e classificá-los como “PRECISO” e “QUERO” Ao final do mês, veja se é possível reduzir os “quero

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Muitos de nós fogem de anotar os gastos, mesmo que seja algo que não leve tanto tempo ou energia. Essa resistência me parece excessiva, exagerada, pois isso não é tão demandante na prática. Quando respondemos emocionalmente a algo de maneira exagerada, de forma que não reflita a realidade, há um indício de que há algo inconsciente a ser cuidado. Vale investigar as crenças novamente!


Uma das crenças que fazem a gente ficar muito solitário ao lidar com desafios financeiros é a de que “se estou sem dinheiro sou um fracasso”. Acabamos enfrentando situações muito mais desafiadoras e “emburacadas” por não comunicarmos aos amigos e família que estamos num aperto. Se vulnerabilizar pode trazer soluções inimagináveis. Acione sua rede de apoio. Conte o que está acontecendo, por mais difícil que isso seja.


Ao fazer isso, prepare-se pra encarar questões importantes e não confortáveis. O objetivo é enxergar o que você pode não estar vendo ou não quer ver. Sua rede de apoio pode trazer soluções que estão em seu ponto cego. Faça o que fizer, peça ajuda. Conte com seus amigos. Lembre-se que estar sem dinheiro não é sinônimo de fracasso. Infelizmente, no sistema econômico que vivemos, estar sem dinheiro pode causar muitos problemas, mas isso está longe de significar que você fracassou. Dinheiro é só uma instância da vida.


E considere outras muitas possibilidades antes de se endividar com instituições financeiras. Busque não dever a bancos, pois o buraco vai aumentando mês a mês e vai ficando cada vez mais difícil ter serenidade para tomar decisões conscientes.


Exercite sua paciência, olhe pra dentro, comprometa-se em dar passos consistentes e peça apoio.


Tanto a criação de um trabalho com propósito que te remunere adequadamente quanto o processo de adultificação, de se tornar adulto, são processo pra vida toda. Parece desesperador precisar olhar pra isso o resto da vida? Eu tenho achado essa história muito deliciosa! É um jogo! Você vai descobrindo as peças, vai juntando os pontos, vai se revelando aos poucos pra si mesmo e vai vendo a vida ir se abrindo a cada nova descoberta.


Tem sido muito divertido e libertador! Isso não reduz os momentos de insatisfação, medo, desespero.


Mas sei que, toda vez que parece que estou chegando no fundo do poço, quando acho que não vou mais dar conta, se eu me comprometo a ver o que em mim sustenta essa realidade que estou vivendo, se peço ajuda pra ver o que preciso ver, em algum momento o céu se abre e eu volto a espiralar pra cima. O lado de lá da crise é muito libertador! Isso tem me impulsionado a seguir e, empiricamente, vejo minha vida ficar mais próspera, leve e feliz.


Que possamos todxs ter os recursos necessários para nos engajar na transformação de nossa maneira de estar no mundo.



Pessoas e iniciativas que admiro em suas investigações sobre dinheiro:

> Eduardo Amuri, investigador de nossa relação com o dinheiro que busca entender como a inteligência financeira pode ser utilizada para transformar nossas vidas.

> Dominic Barter, investigador da Comunicação Não-Violenta. Há 14 anos “não está a venda” (em suas próprias palavras) e não põe preço no que faz. Um fim de semana com ele me fez rever esse texto algumas vezes e quase desistir de publicá-lo, por minha cabeça e coração terem revirado algumas vezes sobre a questão sistêmica do dinheiro.

> Zero/Infinito, um ambiente de livre interação no qual as pessoas oferecem e pedem produtos e serviços e realizam as transações em uma planilha utilizando créditos e débitos.

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