Para criar o novo

Pra fazer uma transição contundente e sustentável ao longo do tempo, há de mudar também a estrutura de pensamento.


Descolonizar o olhar. Sair da lógica linear com foco no objetivo e se abrir para uma percepção relacional e processual.


Se não, é só uma repetição mascarada de "novo". Um novo que repete os mesmos padrões de necessidade de garantia não é novo.


Novo é estruturar-se dentro, sem querer controlar o fora.


Novo é confiar no processo de autotransformação e permitir-se morrer para renascer do centro para as extremidades.


Novo é soltar o desejo por pseudo-segurança e dar chance para construir bases sólidas no imaterial: saber quem se é, nutrir relacionamentos nutritivos, conectar com o invisível e receber dele instruções.


Novo é ter sensatez de assumir o não saber, dar as boas vindas ao vazio e ter percepção sutil para sentir os primeiros cheiros do que chega.


Novo é confiar no que não se explica mas se entende.


Novo é deixar dissolver o que não mais serve à Vida.


Novo é correr o risco da liberdade.


Novo é saber que ser livre enquanto outros estão presos não é liberdade.


Novo é reconhecer a interdependência e a não separação entre todos os seres.


Tem tanto mais que é novo que ainda não conheço. Novo é tudo aquilo que ainda não sei e que já ressoa.

0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Quem sou eu profissionalmente agora?

Quatro meses de um arrombo psíquico, com um pacotinho sorridente e demandante no colo. Com o sono pouco e picotado, o corpo com limites irreconhecíveis sendo sugado. Eu estaria voltando ao trabalho

uma forma de vida que cuide das mães

Não era pra ser assim. Não era pra estarmos tão cansadas. Não era pra estarmos à mercê financeira. Não era pra duvidarmos de nosso valor por estarmos sendo “só” mães. Não era pra estarmos em