Pare (agora!) de condicionar sua felicidade

Atualizado: 12 de Jun de 2019


Crédito: Estevão Andrade

Um dos processo centrais que costumo fazer com as pessoas que apoio é pedir pra listarem quais necessidades querem atender com o trabalho que desejam manifestar: coerência, significado, saúde, liberdade, prosperidade…


Sim, é possível criar um trabalho que cuide de tudo isso.


Mas não sem antes estarmos comprometidos com cada uma dessas necessidades, descondicionando-as do trabalho.


Queremos coerência no novo trabalho mas ainda tomamos atitudes que vão de encontro ao que sabemos acabar com a vida em nós mesmos e no mundo? Sabemos da importância de fazer determinadas coisas mas não nos firmamos nessas ações?


Queremos prosperidade no novo trabalho mas não temos atenção a como lidamos com o dinheiro existente?


Queremos uma forma de trabalho que possibilite nossa saúde mas não cuidamos dela da forma que é possível aqui e agora?


O chamado é para a autorresponsabilidade, para se colar no que é importante pra você. Precisamos assumir a responsabilidade de viver como desejamos, sem colocar condições para isso.


Sair da lógica “eu vou ser feliz quando..” ou “minha vida vai fluir se…”.


É sobre se firmar hoje no que faz sentido pra você. E aí, à medida em que vamos nos comprometendo com nossas necessidades e pagando o preço dessas escolhas, estamos dizendo pra vida: "Olha, eu tô a fim. Eu quero mesmo viver com mais saúde. Tanto que estou vivendo isso da maneira que é possível agora".


E aí a vida vai se manifestando, abrindo os caminhos para podermos viver mais e mais o que desejamos.


Damos um passo na direção da Vida e a Vida dá mil passos em nossa direção.


No fundo, o que queremos é viver em mais coerência, significado, saúde, liberdade, prosperidade (ou quaisquer outras necessidades que façam sentido para você). E acabamos colocando o desejo de viver isso somente no trabalho.


Precisamos descondicionalizar nossa felicidade.


E viver o que desejamos hoje, na forma que for possível agora. E confiar que a vida vai se abrindo, porque ela se abre.


Tenho inúmeros exemplos disso. O mais recente é de uma pessoa que apoio que queria muito mudar de trabalho, sair do mundo da moda convencional e passar a trabalhar com moda sustentável. Investigando, entendemos que ela queria, no fundo, um estilo de vida que proporcionasse mais tempo com suas filhas e mais coerência, significado e contribuição pro mundo.


Pedir demissão parecia muito difícil pois no país onde ela mora, o universo da moda sustentável está pouco desenvolvido e a estrutura financeira é importante para ela.

Ela começou a estudar nas poucas horas disponíveis que tinha. Descobriu que o Fashion Revolution (um evento importante sobre o tema) aconteceria durante suas férias. Ela foi e começou a postar em suas redes sobre o que estava aprendendo.


Parece pequeno, né? Parece que não vai dar em nada.


Mas ela estava abrindo os caminhos com esses pequenos passos.


Semanas depois, dois convites: um para fazer a direção de arte do catálogo de uma marca de roupas de algodão orgânico para crianças, de uma mãe da escola das crianças; e outro para assumir um cargo freelancer em que precisa trabalhar uma semana por mês e ganhar quase o mesmo que ganhava em seu emprego fixo.


Tempo para as crianças, estilo de vida, coerência, significado, contribuição, estrutura financeira.


Ah, Carol, mas o trabalho de freelancer é na moda convencional, não vale!


Por que não?


Às vezes, sim, vamos viver tudo que desejamos em um só trabalho. Às vezes, não. Vamos viver o que desejamos em diferentes áreas da vida ou em diferentes trabalhos.


A gente precisa ir amadurecendo dentro os valores e necessidades que desejamos preencher. Até que em um determinado momento da nossa vida, viver longe desses valores e necessidades não é mais possível, pois estamos imbuídos deles. E aí, a vida como um todo vai acontecendo a partir dessas necessidades, porque não há mais dentro de nós um espaço onde essa necessidade não esteja vibrando.


É de dentro para fora.


Quando eu comecei a trabalhar com o que fazia sentido pra mim e abri a Casa Sou.l, em 2013, a conexão com a natureza era algo importante pra mim. Tinha uma horta permacultural na casa, que volta e meia eu cuidava. Mas esse valor não era algo tão corporificado em mim. Aos poucos, fui me embuindo mais dessa conexão, cuidando da horta, da composteira, me mudando pro interior. Até que, hoje, não há nenhum trabalho que eu faça que não inclua de alguma maneira o contato com a natureza.


O que estou querendo dizer é: talvez o trabalho não vai cuidar da sua necessidade de conexão com a natureza nesse momento. Tudo bem. Você pode ter uma horta.


Ou não é possível nesse momento ter um trabalho no qual sua veia artística se manifeste. Desenhe, faça uma aula de cerâmica, dance!


Acabamos colocando no trabalho um peso tão grande, mas tão grande, que esquecemos de viver as outras áreas da vida (eu sei bem o que é isso).


Colocar todo o peso do cuidado com nossas necessidades no trabalho faz com que a criação desse trabalho fique cheia de tensão. E, como escrevi aqui, onde há tensão, não há movimento.


A coisa toda é sobre a VIDA! O trabalho é um aspecto dela. Um aspecto muito importante, eu diria essencial.


A gente precisa descondicionalizar nossas escolhas. E se comprometer hoje a cuidar do que é genuinamente importante pra gente. Porque a felicidade não vai cair no colo.


O que é que você pode fazer hoje pra se comprometer com cuidar de suas necessidades?


O que você pode fazer hoje para descondicionalizar sua felicidade?


Uma música pra te lembrar de ir passos a passos:





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