sobre dormir sozinha na mata, medo e amor



Escrevo durante dias dormindo sozinha no sítio. O vizinho mais perto não escutaria nenhum tipo de pedido de socorro. Lá fora, a lua cheia ilumina o breu. É minha terceira noite seguida. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ A primeira foi horrível. Cada barulho lá fora (é no meio da mata Atlântica, com centenas de sons ao mesmo tempo) tensionava uma nova parte do meu corpo. Só adormeci com uma meditação guiada. E acordei zil vezes durante a noite. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ A gente vem morar pro mato mas os medos da cidade nos acompanham. As sequelas de uma vida tensa parecem levar tempo pra sarar. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ A segunda noite foi mais suave. Visitei amigos e ofertei minha medicina pra eles, ajudando-os a clarear padrões em sua relação com trabalho, e a organizar os fluxos financeiros de seus serviços. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Me senti tão abundante de poder me doar pra pessoas amadas! Voltei dirigindo no breu da roça, cantando de sorriso no rosto. Até fiquei no jardim escuro por um tempo, sem tensão. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Dormi de conchinha com Caju, nosso gato-mago, toda estabanada por não saber me mover sem acordá-lo. Tentava ser cuidadosa a cada movimento, zelando por seu sono. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Hoje, na terceira noite, me sinto em comunhão, protegida por cada grilo, cigarra, sapo, pássaro, cão, gato. Cada ser que coabita essa floresta comigo zela pelo meu sono, como zelo pelo deles. Ter me ofertado para os amigos me trouxe uma sensação de estar protegida. Ter amado me protegeu do medo. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ É mesmo, o oposto de medo é amor. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Pra atravessar o medo, amar. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ @brunasavaget e @artericardoporto , meus amigos queridos, grata por me permitirem amar e ser amada!

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